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segunda-feira, março 29, 2010

"Jornalismo Adágio" - A nova moda de iogurte a Metro com prazo de validade

Dei de caras com este Metro quando hoje viajava de metro. É daquelas manchetes que não tendo história, tem estórias proverbiais.

quarta-feira, março 04, 2009

Jornalistas em greve pela Liberdade em Portugal

"Apresente vaga de despedimentos na Controlinveste (Global Notícias Publicações/Jornalinveste Comunicação) atinge 119 trabalhadores do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24 Horas, O Jogo. Esta sangria representa à volta de 12% dos efectivos do Grupo. Correm rumores de que outras vagas estarão a formar-se no conforto dos gabinetes. Os jornalistas constituem mais de 60% dos desvinculados, friamente descartados. O outro contingente integra funcionários das áreas de recursos humanos, contabilidade e informática. Esta “redução” não tem cobertura da “crise global”. Não quer dizer que não se tenha definido o momento. Um bom guarda-chuva vem a calhar quando se faz correr “sangue, suor e lágrimas”. Mas só com uma dose de ficção científica este drama se encobrirá com “produtos tóxicos” bolsistas e apenas poderá acobertar-se parcialmente sob a capa da contracção da actividade económica nacional e geral. A janela de oportunidade tem mais a ver com a entrada em vigor do Estatuto do Jornalista e do Código Laboral, que acorrentam os profissionais a um sem número de “trabalhos forçados”. No que concerne ao Novo Estatuto, o jornalista foi consagrado, pela Força da Lei, como “topa-a-tudo”, “tapa-furos”, “tapa-buracos”, “blackand-decker” ou ogiva de cabeça múltipla das omnipotentes entidades multimédia." in Manifesto dos 119, personalidades do Norte em Defesa do JN, DN, 24horas e O Jogo.

Um terço dos jornalistas dos jornais acima mencionados fez hoje greve de 24horas contra os despedimentos no Grupo Controlinveste. A crise é apenas uma desculpa. As alterações ao Estatuto do Jornalista tendem para a desvalorização e escravidão do profissionais e dos meios de comunicação social.

Hoje são os jornalistas, amanhã são todos. Adormecido povo que não vê por onde começa o ataque do Pensamento Único...Os despedimentos de jornalistas servem para eliminar estrategicamente alguns e calar, sobre o jugo do medo, muitos outros, os restantes que ficam.

Os tipos que fazem os jornais que os cidadãos lêem todos os dias, estão obviamente muito preocupados com a falta de salário ao final dos mês. Quem não estaria? A diferença é que esses mesmos tipos trabalham para contar ao país o que alguns não querem que o país saiba...os mesmos "alguns" que querem capitalizar pela censura económica....um jornalista precisa de dinheiro ao final do mês, um maquia digna. Não vive de ar e vento e muito menos e apenas do gosto que tem na profissão, apesar de muitos patrões acharem que o prazer profissional basta como salário.

Em tempos o jornalista era conceituado e respeitado, agora quase tem de pedir para ser jornalista. Às vezes mesmo pedinchar... Esta sociedade está uma valente Merda, quando não defende aqueles que a defendem todos os dias em extensas horas de trabalho (e cansaço), muitas mais do que aquelas que os deputados fingem passar na Assembleia da República.

Esta Sociedade vai uma boa merda quando não bate à porta dos políticos para dizer "Basta, não é isto que queremos". Pelo menos, enquanto é tempo...

sábado, janeiro 17, 2009

PRESS: Manifesto da vergonha


Escrevo-te esta carta em nome de uma geração de não-jornalistas que à tua se assomou. Não partilhei contigo nenhuma redacção, antes os tribunais, as ruas e os cafés. Conversas trocadas entre a camaradagem e a amizade. Quando soube, há poucos dias, da vaga de despedimentos senti primeiro o alívio por não ser eu, depois um peso nos ombros, a pressão de saber que ao primeiro desentendimento ou outra razão há mais soldados lá fora de caneta para me substituírem e finalmente, tristeza e revolta. Porquê...? Os outros mereceriam igual destaque se os conhecesse de mais próximo, ou antes se fossem igualmente tão verdadeiros no seu âmago.

É em nome de uma geração de jornalistas que não o são que te peço desculpa por aqui estarmos e, para além da crise, termos denegrido o respeito que sei que os “canetas” do teu tempo tinham. Escrevo-te a ti esta carta, porque sei que não há outra pessoa que a poderia ter compreendido e respeitado tanto quanto tu. Há colegas que trabalham ao sol, à chuva, doentes …a rastejar… de muletas. É em nome desta geração que peço perdão. Porque já alinhei – à partida mal quis ser jornalista – num atentado moral aos que cedo já andavam neste mundo…aqui auguro o meu perdão.

No outro dia soube o que o futuro te prenunciava. Bateu forte e apeteceu-me esbofetear todos os cabrões sentados em cadeiras de ouro. Pela filha-da-putice dourada e diária que perpetuam como se fossem senhores da vida nas vidas dos outros em que mandam, cospem e cagam. Mas porque a merda escorre para baixo – assim sempre me ensinaram – também um dia alguém lhes há-de, lá de cima, puxar um bom autoclismo reluzente.

Há pouco fiquei fodido porque esses animais cornudos decidiram despedir mais uns quantos, para, dizem, equilibrar os orçamentos e garantir a sustentabilidade financeira dos jornais…Fiquei com um trato ligeiramente congestionado com substâncias viscosas quando percebi bem de perto o que os cabrões do Governo estão a fazer aos poucos a este país…passo a passo…como o novo Estatuto do Jornalista… cortando a liberdade de imprensa e de expressão com a desculpa do “mercado livre”. Passo a passo, menos um jornalista, menos um fotógrafo, menos um secção a que se muda o nome, menos uma redacção. Vem a agência de fotografia. Todos fotografam para todos…passo a passo, todos escreverão para todos. E os jornais tornar-se-ão indistintos. E esta folha de papel escrita ontem por ti, será igual à escrita por outro nabo de parco salário. Os pontos de vista das notícias serão todos o mesmo e a ditadura voltará plantada pelo poder económico qual flor carnívora e irónica na imprensa, onde devia, afinal, murchar.

E quem perde é o Povo, por quem e para quem afinal trabalhamos. Quando entrei na Faculdade, disse-me um professor que o romantismo havia já acabado no jornalismo, a ideia da missão a cumprir. Mas quando entrei na Faculdade, já havias tu escrito milhões de caracteres de avulsas histórias em despique com esse romantismo.

É em nome desta geração desunida de prosaico esterco dourado envolvido num literato canudo que te baixo a cabeça em sinal de vergonha.