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terça-feira, junho 01, 2010

Ex-director do i....contratado por Balsemão


O ex-director do jornal i, Martim Avillez Figueiredo, foi contratado por Francisco Pinto Balsemão, homem-forte da Impresa, proprietária da SIC. O jornalista fundou em 2009 o diário i, de onde saiu este ano por não concordar com um plano de redução de custos que lhe foi apresentado e na sequência do anúncio da possibilidade de aquele órgão do grupo Lena ser vendido.

Sócrates versão Otelo Saraiva de Carvalho

Primeira página do Diário de Notícias de hoje. Descubram as diferenças.

domingo, maio 16, 2010

Fechem o Primeiro de Janeiro (de vez) por favor!

Mais uma machadada.

domingo, abril 04, 2010

Um café sem Letras


Há quase uma dor. As velhas palavras num jornal escrito a chumbo saltam de um fulgor que já não se usa. Fazem velhas manchas num escrito que é de novidades velho no tempo. Soltam-se os nomes assinados no topo das peças vertidas a retalho, como que percebidas pelos dedos dos autores. Escritores, que, ávidos, teclaram como feiticeiros a sorver a vida de pessoas reais, personagens de uma vida que se tornou estória de um diário.

Há quase uma mágoa. Perceber que o som se faz silêncio quando não se ouvem os passos e as piadas de um velho que para o chumbo e para a vida sempre foi jovem. O branco das paredes pintadas a secretárias - maquinas de escrever, computadores, impressoras, telefones frenéticos e apontamentos sonoros - fez-se gélido e congelou o cravo que no tempo era a liberdade. Parece que o café não é mais o catalisador de uma manhã ainda a acordar e que o whisky se desfez numa garrafa vazia. Uma cadeira azul vazia é como o céu sem nuvens, perfeito e sem as manchas da vida, pecados e nódoas que o destino sorve como um glutão endeusado em costumes e pessoas.

Há um esgar de saudade que se perde num esvoaçar solitário e incauto. Uma mesa em que pairaram as estórias de vidas e passagens de luta não mais o será sem o escrivão genial. A caneta não tinge o papel sem o jeito do artista que em música fazia as palavras das histórias de ninguém. No quadro das memórias e dos recibos de momentos, cai a penumbra das dádivas do tempo. Uma fotografia roubada é como a imagem de uma alma num delicioso segundo sem preço. Um riso de anedota, um balbuciar de atraso à hora da escrita é como uma pecado fatal que, de irreverente e sem tempo, se cristalizou nos confins da mente do mestre.

Queria dizer-te que a cadeira está fria, sem calor possível que reconheça num espaço traçado por múltiplos sapatos. Queria explicar-te que o teclado não mais deixou escrever as palavras que vertias como um pianista de jazz que sobremaneira morre a cada frase que toca e flui em músicas que se soltam. Melodias juntas que contam momentos pescados do anzol surpresa que surgem de uma luz que não se percebe, mas se deixa entrar no livro dos mestres.

A máquina de escrever morreu há uma década. Há duas ficou sem tinta e ninguém mais a tocou. Queria mostrar-te o que todos os dias descubro e perguntar-te o que nem todos os dias sei. Queria a tua irritação, os teus inimagináveis horizontes humanos e a conservadora abertura de ideais e ideias modernas. Queria saber todos os dias o que é ser repórter, sem me achar a questionar a razão pela qual a moeda faz de um contador de histórias um insignificante e um solitário caminhante da noite.

Um país que não se lê e não sorve o tempo é um país que não vive nas palavras do âmago dos seus dias e na borra do café do manhã seguinte.

quarta-feira, março 04, 2009

Jornalistas em greve pela Liberdade em Portugal

"Apresente vaga de despedimentos na Controlinveste (Global Notícias Publicações/Jornalinveste Comunicação) atinge 119 trabalhadores do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, 24 Horas, O Jogo. Esta sangria representa à volta de 12% dos efectivos do Grupo. Correm rumores de que outras vagas estarão a formar-se no conforto dos gabinetes. Os jornalistas constituem mais de 60% dos desvinculados, friamente descartados. O outro contingente integra funcionários das áreas de recursos humanos, contabilidade e informática. Esta “redução” não tem cobertura da “crise global”. Não quer dizer que não se tenha definido o momento. Um bom guarda-chuva vem a calhar quando se faz correr “sangue, suor e lágrimas”. Mas só com uma dose de ficção científica este drama se encobrirá com “produtos tóxicos” bolsistas e apenas poderá acobertar-se parcialmente sob a capa da contracção da actividade económica nacional e geral. A janela de oportunidade tem mais a ver com a entrada em vigor do Estatuto do Jornalista e do Código Laboral, que acorrentam os profissionais a um sem número de “trabalhos forçados”. No que concerne ao Novo Estatuto, o jornalista foi consagrado, pela Força da Lei, como “topa-a-tudo”, “tapa-furos”, “tapa-buracos”, “blackand-decker” ou ogiva de cabeça múltipla das omnipotentes entidades multimédia." in Manifesto dos 119, personalidades do Norte em Defesa do JN, DN, 24horas e O Jogo.

Um terço dos jornalistas dos jornais acima mencionados fez hoje greve de 24horas contra os despedimentos no Grupo Controlinveste. A crise é apenas uma desculpa. As alterações ao Estatuto do Jornalista tendem para a desvalorização e escravidão do profissionais e dos meios de comunicação social.

Hoje são os jornalistas, amanhã são todos. Adormecido povo que não vê por onde começa o ataque do Pensamento Único...Os despedimentos de jornalistas servem para eliminar estrategicamente alguns e calar, sobre o jugo do medo, muitos outros, os restantes que ficam.

Os tipos que fazem os jornais que os cidadãos lêem todos os dias, estão obviamente muito preocupados com a falta de salário ao final dos mês. Quem não estaria? A diferença é que esses mesmos tipos trabalham para contar ao país o que alguns não querem que o país saiba...os mesmos "alguns" que querem capitalizar pela censura económica....um jornalista precisa de dinheiro ao final do mês, um maquia digna. Não vive de ar e vento e muito menos e apenas do gosto que tem na profissão, apesar de muitos patrões acharem que o prazer profissional basta como salário.

Em tempos o jornalista era conceituado e respeitado, agora quase tem de pedir para ser jornalista. Às vezes mesmo pedinchar... Esta sociedade está uma valente Merda, quando não defende aqueles que a defendem todos os dias em extensas horas de trabalho (e cansaço), muitas mais do que aquelas que os deputados fingem passar na Assembleia da República.

Esta Sociedade vai uma boa merda quando não bate à porta dos políticos para dizer "Basta, não é isto que queremos". Pelo menos, enquanto é tempo...

terça-feira, janeiro 27, 2009

Manifesto: Não Calem o JN


O JN está a começar a definhar - a situação é apenas agora nítida para os leitores, apesar de para os profissionais do meio ser clara há vários anos - e um grupo de jornalistas, políticos e figuras do Norte resolveu fazer um Manifesto / Abaixo-assinado para evitar a ruína enquanto é tempo.

O Porto assistiu à morte do Comércio do Porto e do Primeiro de Janeiro em Silêncio. Não pode agora assistir apático à morte do Jornal de Notícias. É tempo de dizer basta!
Assinar a petição on-line.

Há um só jornal de dimensão nacional sedeado fora de Lisboa, o "Jornal de Notícias", resistente último à razia que o tempo e as opções de gestão fizeram na Imprensa da cidade do Porto. Todavia, nunca a precariedade dessa sobrevivência foi tão notória como hoje, sendo tempo de todas as forças vivas da sociedade reclamarem contra o definhamento da identidade de uma instituição centenária que sempre as representou, passo primeiro para a efectiva e irreversível extinção.

Desde sempre duramente penalizado pela integração em grupos de Comunicação Social, pois sempre foi impedido de viver à medida das audiências e dos resultados, o "Jornal de Notícias" tende a ser profundamente descaracterizado pela remodelação que o Grupo Controlinveste encetou, ao lançar um processo de despedimento colectivo que afectou, para já, 122 pessoas em quatro dos títulos de que é proprietário.

São cada vez mais nítidos os indícios de que o referido grupo económico está a usar a crise para levar a cabo uma reestruturação, longamente pensada, que, através da criação de sinergias, destruirá a identidade dos dois jornais centenários de que é proprietário: o JN e o "Diário de Notícias". Se o processo não for travado, os dois jornais, mesmo que mantenham cabeçalhos diferenciados, serão apenas suportes de conteúdos sem alma. A ideia não é nova e, com a concentração dos media e com alterações legislativas feitas à medida, está em pleno curso. É agora prática corrente a figura do "enviado notícias", jornalista de um dos dois títulos em serviço no estrangeiro, que vê a sua reportagem (ipsis verbis) publicada em ambos, ainda ontem concorrentes, mesmo que integrados no mesmo grupo. Foi agora criada, à custa do despedimento de fotojornalistas, uma agência fotográfica cujos membros integrantes trabalharão, indiscriminadamente, para os jornais "Diário de Notícias", "24Horas" e "O Jogo" (o JN entrará logo depois nesse esquema, a primeira grande machadada nas matrizes identitárias das publicações).

O resto virá a seguir. Os jornais do Grupo Controlinveste passarão a ser, não importa se sob uma ou várias marcas, veículos de um pensamento unificado. Pensando apenas em optimização de recursos, descaracterizam-se redacções e nada impedirá, como acabou de suceder no JN com a informação internacional, que secções sejam extintas, uma vez que, nesta visão redutora, um só jornalista chegará para alimentar quantos jornais e páginas da Internet for necessário. A prática que se adivinha está já em curso na informação desportiva, em que JN e "O Jogo" partilham trabalho jornalístico.

Com a solidificação deste assustador processo, será o JN o mais penalizado e, com ele, a cidade do Porto, todo o Norte do país, vastas extensões da região Centro e, por conseguinte, a própria qualidade da democracia portuguesa. Toda esta estratégia está a ser desenhada à distância, integrando-se nela a recuperação, há menos de um ano, do cargo de director-geral de publicações, entregue ao director do "Diário de Notícias". Não importa a qualidade boa ou má dos propósitos, apenas que a estratégia do JN vem sendo traçada por pessoas que desconhecem por completo a história, o papel social, o estilo, os leitores ou os agentes sociais que ao longo de décadas tiveram neste jornal a sua voz.

Cada vez mais, o JN deixará de ser a montra dos problemas e dos anseios de vastas zonas do país (o fecho e o emagrecimento de filiais são paradigmáticos). Com isso, haverá um crescente isolamento de regiões que o centralismo tem colocado cada vez mais na periferia. Com isso, o debate sobre a regionalização será restrito e controlado pelo espírito centralista. Com isso, questões como o peso do Porto e do Norte no Noroeste Peninsular serão menorizadas. Problemas como o da gestão do Aeroporto Francisco Sá Carneiro serão menos discutidos. A progressão da rede de metro do Porto será menos reclamada. O poder local será ainda mais invisível. O empreendedorismo será asfixiado. A vida cultural será ainda mais silenciada. O país exterior à capital será cada vez mais paisagem.

Em sede própria, estão os trabalhadores afectados pelos despedimentos (não apenas jornalistas), muitos deles em situações dramáticas, a lutar pelos direitos que lhes assistem. Aqui, é o jornal que luta pela própria existência. Dentro dos deveres que lhes são impostos, os representantes eleitos pelos jornalistas do "Jornal de Notícias" erguem a voz pela história que lhes cumpre honrar, pedindo que se lhes juntem as vozes de quantos virem na preservação desta identidade uma causa justa.

A cidade do Porto e o Norte assistiram, calados, ao desmantelamento de ícones como "O Primeiro de Janeiro" e "O Comércio do Porto". Quando reclamaram, era tarde. No caso do JN vão ainda tempo de exigir responsabilidade e sensatez. Quando perceber que o fim de tudo foi assim evitado, também o Grupo Controlinveste agradecerá, e é por isso que reclamamos a recuperação urgente do verdadeiro JN. Nacional mas do Porto.

sábado, janeiro 17, 2009

PRESS: Manifesto da vergonha


Escrevo-te esta carta em nome de uma geração de não-jornalistas que à tua se assomou. Não partilhei contigo nenhuma redacção, antes os tribunais, as ruas e os cafés. Conversas trocadas entre a camaradagem e a amizade. Quando soube, há poucos dias, da vaga de despedimentos senti primeiro o alívio por não ser eu, depois um peso nos ombros, a pressão de saber que ao primeiro desentendimento ou outra razão há mais soldados lá fora de caneta para me substituírem e finalmente, tristeza e revolta. Porquê...? Os outros mereceriam igual destaque se os conhecesse de mais próximo, ou antes se fossem igualmente tão verdadeiros no seu âmago.

É em nome de uma geração de jornalistas que não o são que te peço desculpa por aqui estarmos e, para além da crise, termos denegrido o respeito que sei que os “canetas” do teu tempo tinham. Escrevo-te a ti esta carta, porque sei que não há outra pessoa que a poderia ter compreendido e respeitado tanto quanto tu. Há colegas que trabalham ao sol, à chuva, doentes …a rastejar… de muletas. É em nome desta geração que peço perdão. Porque já alinhei – à partida mal quis ser jornalista – num atentado moral aos que cedo já andavam neste mundo…aqui auguro o meu perdão.

No outro dia soube o que o futuro te prenunciava. Bateu forte e apeteceu-me esbofetear todos os cabrões sentados em cadeiras de ouro. Pela filha-da-putice dourada e diária que perpetuam como se fossem senhores da vida nas vidas dos outros em que mandam, cospem e cagam. Mas porque a merda escorre para baixo – assim sempre me ensinaram – também um dia alguém lhes há-de, lá de cima, puxar um bom autoclismo reluzente.

Há pouco fiquei fodido porque esses animais cornudos decidiram despedir mais uns quantos, para, dizem, equilibrar os orçamentos e garantir a sustentabilidade financeira dos jornais…Fiquei com um trato ligeiramente congestionado com substâncias viscosas quando percebi bem de perto o que os cabrões do Governo estão a fazer aos poucos a este país…passo a passo…como o novo Estatuto do Jornalista… cortando a liberdade de imprensa e de expressão com a desculpa do “mercado livre”. Passo a passo, menos um jornalista, menos um fotógrafo, menos um secção a que se muda o nome, menos uma redacção. Vem a agência de fotografia. Todos fotografam para todos…passo a passo, todos escreverão para todos. E os jornais tornar-se-ão indistintos. E esta folha de papel escrita ontem por ti, será igual à escrita por outro nabo de parco salário. Os pontos de vista das notícias serão todos o mesmo e a ditadura voltará plantada pelo poder económico qual flor carnívora e irónica na imprensa, onde devia, afinal, murchar.

E quem perde é o Povo, por quem e para quem afinal trabalhamos. Quando entrei na Faculdade, disse-me um professor que o romantismo havia já acabado no jornalismo, a ideia da missão a cumprir. Mas quando entrei na Faculdade, já havias tu escrito milhões de caracteres de avulsas histórias em despique com esse romantismo.

É em nome desta geração desunida de prosaico esterco dourado envolvido num literato canudo que te baixo a cabeça em sinal de vergonha.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

"Novos repórteres" no PÚBLICO

Enquanto fazia a minha revista de imprensa privada hoje e folheava o PÚBLICO de ontem, deparei-me com esta imagem em jeito de publicidade.

O que significará isto no actual cenário de remodelação daquele jornal, alguém sabe ou adivinha?