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domingo, dezembro 21, 2008

"As nove fodas" de Bocage



"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:

Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."

"Não (diz uma) tu padre não me engodas:
Sempre, me há-de lembrar por meus pecados
A noite, em que me deste nove fodas"!


É curioso ver que a linguagem usada por Bocage, não mudou, afinal, assim tanto. Manuel Maria Barbosa du Bocage morreu em Lisboa, a 21 de Dezembro de 1805.

Levanta Alzira os olhos pudibunda
Para ver onde a mão lhe conduzia;
Vendo que nela a porra lhe metia
Fez-se mais do que o nácar rubicunda:

Toco o pentelho seu, toco a rotunda
Lisa bimba, onde Amor seu trono erguia;
Entretanto em desejos ardia,
Brando licor o pássaro lhe inunda:

C'o dedo a greta sua lhe coçava;
Ela, maquinalmente a mão movendo,
Docemente o caralho embalava:

"mais depressa" – lhe digo então morrendo,
Enquanto ela sinais do mesmo dava;
Mística pívia assim fomos comendo.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Uma ode chamada Pessoa

Fernando Pessoa

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não" É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Fernando Pessoa e o Aborto


Bom senso e bom gostoAndava a navegar pela internet, pelos inúmeros sites e blogs defensores do Não e do Sim e dei de caras com esta fotografia. É um exemplo cabal de como, por vezes, a publicidade a determinado tema ou tendência - neste caso política, pois no fundo é disso que se trata - ultrapassa uma certa ética que convém existir. Fica bem e não é cara a ninguém.

E neste caso torna-se ainda mais grave, não por ser o Sim - não se quer aqui defender nenhum ideologia -, mas porque se usa a imagem de um expoente máximo da literatura portuguesa. Não me parece que Fernando Pessoa alguma vez tenha opinado sobre o Aborto. Se sim digam, pois estou curioso.

E se por acaso fosse a favor do aborto ou contra, alguém deveria ter o bom senso de não usar a imagem de um defunto, ainda que em estátua para, se servindo dela, influenciar mentalidades. Não será isto um golpe baixo à poesia pessoana?

Fonte: Movimento de Jovens pelo Sim