domingo, março 25, 2007

Grandes Portugueses: escolha o seu [pequeno] ditador

Qual dos finalistas colocaria nesta cadeira?


Num brilhante jogo de cadeiras, considero no mínimo curioso que o programa "Os Grandes Portugueses" seja emitido em directo precisamente no dia em que a Europa, um dos bastiões da democracia da modernidade, comemora os seus 50 anos de existência. Isto num cenário liderado por Salazar.

E esta eihn?

segunda-feira, março 12, 2007

O Portugal do Monovolume


Quando regressava do trabalho há uns belos dias atrás, dei de caras com este placard "informativo". A primeira coisa em que pensei foi, admito, na série, "O imortal" que dava na SIC há uns bons anos atrás. "There can be only one", perpetuava a tal série pelo cunho da espada do protagonista.

E vocês?

Ora é caso para pensar que o ícone português que ganhar o concurso será elevado à nobre distinção de imortal. Por outro lado, podemos ver isto do ponto de vista de que só há espaço para mais um ditador, visto que há quem diga que histórico líder do PCP poderia ter sido um. Poderia, ou não, não foi. E aqui estou quase como os "gatos" - «Podia! Mas, não foi!» - com a devia entoação, claro está.

Também é possível pensar à luz da metáfora do "partido do táxi" de Paulo Portas, aplicada ao país real. É caso para dizer - "Apertem mais um bocadinho e caberá mais gente!"

Com todos os pontos positivos do concurso, eu diria que há um brutalmente negativo. 10 milhões de portugueses representados por um único português, ou então, a forte probabilidade de Portugal aproveitar a questão para ir às urnas - neste caso em peso, pois o sms é confortável. Não há chuva nem praia que o proíba - para reclamar de novo uma ditadura.

Na impossibilidade de Salazar ressuscitar, eis que estamos de repente no país de Sócrates. Fico admirado como não está nos dez primeiros.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

O bafo do meu café



Hoje não me deitei contigo

As lágrimas que sorviam do teu corpo

Negaram a chuva negra e cálida

Que amadurecia em mim

Hoje perguntei-te onde andavas

À cor da pergunta conferiste um Não

Quiseste negar-me a luz

Atirando-me para os calaboiços

De um infame silêncio


Já não te vejo na calçada escura

Não me cruzei mais contigo

Como quem diz olá ao ser

Que cruza o passeio da vida

Procurei-te entre paredes, palavras

E músicas…

Que à minha memória não perdoou

Em me lembrar afoito entre sonhos

E à vontade de te encontrar.


Perguntei por ti no café,

Mas a minha chávena

Vertia sozinha.

E o calor de outrora

Esfriou o bafo do primeiro café do dia

Que marcava a tua aurora em mim.

Continuei os meus passos

E na rua caiu uma folha de Outono

Perdida…

E sozinha, esgotada de respostas.

Não há árvores no meu destino

Trémulo porque pequeno

Forte porque resiste


Já não te encontro nas palavras que escrevo

Ainda que o meu âmago teime em te lembrar

Não sei se isso significa o que se transformou

Ou o que perdi à sombra de um outeiro.

Sei que à luz de um sol que se põe

As palavras inundam a minha memória

Com a tua imagem e o teu cheiro,

O teu toque…

Amadurece em mim

Um sentimento bastardo

Pedro Dias


Entre as páginas vernáculas dos jornais do dia, desfolhadas ora à pressa ora com uma calma pensativa, o teclar rápido de um portátil que vive comigo a natureza dos meus dias, um café afoito - ao lado do portátil - trazido à socapa depois de escadas descidas à pressa...

A verdade é que hoje, terça-feira [o que acabo de escrever é uma pvt, entenda quem conseguir e quiser], estou farto da realidade dos dias desse raça triste, "sem tomates" e parola, nascida neste pequeno quadrado luso deitado à beira-mar (e ilhas, entenda-se).

Por isto tudo e por nada...não resisto ao mais apetecível....um bom café ladeado por um papel firme e uma caneta taciturna.

domingo, fevereiro 25, 2007

Relax de domingo - "Actividades sexuais"



Os mais perversos leiam, necessariamente, até ao fim.



A apresentadora de um programa feminino de variedades pergunta à D.Irene, uma jovem senhora:

- A senhora pode contar aos nossos telespectadores quais são as actividades de uma típica dona de casa deste bairro?
- Ah, sim... de manhã, levo os meninos ao colégio. Depois, na volta do colégio, tenho três horas de actividades sexuais...Então, meu marido e filhos chegam para o almoço, almoçam, ele volta para o trabalho e as crianças vão fazer os deveres... Aí, tenho mais algumas horas de actividades sexuais até à noite, quando jantamos e vamos todos para cama!
- Minha nossa! Desculpe, mas a senhora pode nos explicar em que consistem essas actividades sexuais?
- Ah, lógico, explico sim! Actividades sexuais é fazer tudo que é fodido: varrer, passar pano no chão, lavar lavar a roupa, arear as panelas, lavar cachorro, arrumar camas, costurar, passar roupas,
limpar os vidros.

sábado, fevereiro 24, 2007

Quem é o seu Grande Português?

O Terceira Vaga irá manter, até inicios de Março - altura em que se prevêm os ultimos resultados -, uma votação online onde poderá dar a sua opinão. O provável vencedor do programa da RTP será revelado minutos antes aqui. Vote!



O concurso já animou e já enfureceu muitas pessoas. Há quem diga que é interessante e quem, por outro lado, defenda que o facto de Salazar estar entre os 10 classificados é um atentado à Democracia Portuguesa.

Há ainda quem coloque Salazar a par de Álvaro Cunhal e acene com a bandeira de ditador a este comunista que nunca tomou o sabor do poder. Aristides de Sousa Mendes, salvou inúmeros judeus, entre outros, de uma morte certa, mas há comentadores que lhe retiram essa glória, conferindo-a a Salazar, que na verdade foi quem os deixou entrar em território português.

Fernando Pessoa e Camões ficarão sempre na sombra de uma glória que o povo português não confere aos génios da cultura, da poesia e da literatura? Provavelmente.

Restam os ícones dos Descobrimentos que representam um Portugal de memória muito longínquo. Será que ainda existe, essa mesma vontade punjante entre os portugueses?

Fernando Pessoa, quis acordar, na Mensagem, este povo adormecido. Até hoje falhou...mas o seu génio continua ad eternum.

Vote! A sua opinão conta.