segunda-feira, julho 03, 2006

É boa ! Se fossem malmequeres !

É boa ! Se fossem malmequeres !
E é uma papoula
Sozinha, com esse ar de "queres?"
Veludo da natureza tola.

Coitada !
Por ela
Saí da marcha pela estrada.
Não a ponho na lapela.

Oscila ao leve vento, muito
Encarnada a arroxear.
Deixei no chão o meu intuito.
Caminharei sem regressar.

Fernando Pessoa

quarta-feira, junho 28, 2006

Consumo mínimo de felicidade


Dei de caras com um artigo curioso que descreve na perfeição algumas pessoas com que as vezes damos de caras na vida. Para ler e saborear. Grande Isabel Stilwell.


"Há pessoas que são um poço de contradições. Evidentemente que não neste país, mas noutros – roubando uma expressão aqui ao cronista do lado, o professor Eduardo Sá. Um dia Queixam-se de solidão, de que ninguém gosta delas, só porque são pequeninas como o patinho feio Calimero. Choram-se até secarem o poço das lágrimas.
Culpabilizam -se por todas as vezes que viraram à esquerda em lugar de voltarem à direita. Fazem a lista das INJUSTIÇAS de que foram alvo. Nesses momentos estão certas de que. Na realidade, nunca ninguém as compreendeu e muito menos as valorizou como mereciam. Mortificam-se com o pensamento de que talvez tudo isso tenha acontecido porque não prestam, de facto, para nada. E vertem mais umas lágrimas sentidas.
Ao fim de umas horas, ou de alguns dias, cansam-se de terem pena de si próprias e regressam a um ponto de EQUILíBRIO, convencidas de que agora é que vão descobrir o caminho do nirvana. Para uns tempos depois tombarem aflitivamente para o extremo oposto: uma sensação de que todos dependem de si, uma vontade de sacudir pernas e braços para deixar cair os que por lá andam pendurados, tornando cada passo tão cansativo e doloroso.
Sentem-se mortalmente divididas: por um lado desejam muito que aqueles que lhes são próximos as considerem imprescindíveis à sua existência e simultaneamente ambicionam a liberdade que traz a consciência de não se estar directamente implicado na FELICIDADE de ninguém.
O que queriam estas pessoas, que claro, não são nenhum de nós, era serem incondicionalmente amadas, sem que para isso tivessem de mexer uma palha. Queriam que toda a gente que lhes importa fosse feliz por conta própria, chegando-se a elas já com o consumo mínimo de felicidade adquirido. com o único objectivo de dividir esse contentamento, sem que o facto de receberem alguma coisa implicasse na sua cabeça uma DíVIDA adquirida.
O que essas pessoas queriam era livrar-se de vez da ideia de que as relações são obrigatoriamente um deve-e-haver e de que foram postas na Terra com a missão de viverem para os outros. Nesses dias extremos o que desejavam era uma autorização por escrito, em papel azul de vinte e cinco linhas, para se amarem apenas a si próprias. E sabe Deus a trabalheira que só isso já lhes daria".

in Notícias Magazine

terça-feira, junho 27, 2006

Sabor a Mi ( Para ti )


Tanto tiempo disfrutamos este amor
nuestras almas se acercaron tanto asi
que yo guardo tu sabor
pero tu llevas tambien sabor a mi

Si negaras mi presencia en tu vivir
bastaria con abrazarte y conversar
tanta vida yo te di
que por fuerza tienes ya sabor a mi

No pretendo ser tu dueno
no soy nada yo no tengo vanidad
de mi vida doy lo bueno
yo tan pobre que otra cosa puedo dar

Pasaran mas de mil anos muchos mas
yo no se si tenga amor la eternida
pero alla tal como aquien la boca llevaras sabor a mi

domingo, junho 25, 2006

O Meu Berço


Divinos dias que vão nas ondas da passado
E a infância não serviu para me perdoar
Nem para do teu crepúsculo apagar a saudade,
De um tempo em que as tuas palavras
Me serviam de berço.

Troquei o Terreiro da Sé pelos passos da tua casa
As namoradas de que tanto falavas
Pelo amor que me davas.
Perdi-te pela leveza do meu esquecimento

O traje que tanto anunciaste
Nunca o viste
Quando voltei, Deus cegou o nosso encontro
A chama do regresso e a vontade de trocarmos a saudade
Por doces palavras de ternura

Tu que sempre foste bonita
Que nunca me fizeste chorar
E que sempre tinhas um conselho e um sorriso
Uma palavra e um carinho escondido
Foste embora.

Deixas-te me para continuar caminho
Foste ter com quem já te esperava há muito

Sou fonte de lágrimas que erra
Caminho indistinto de um único sentido

Afagaste o meu berço quando nasci
Sorriste quando chorei da primeira vez
Conheceste o menino, mas não o homem…
Ainda que no teu âmago
Desde sempre o tenhas visto

Agora que cresci e me deixaste
Sei que continuas por aqui

Em todas manhãs
Abrirei a janela da saudade
Para te sorrir com a minha alma

Para te mostrar os olhos que sempre gostaste
Agora são teus …Avó.

sábado, junho 24, 2006

Trovador Enamorado

"...Olha para a lua que a noite é tua
E o trovador, enamorado canta enlevado
Trovas de amor..."

Os primeiros de muitos momentos que se advinham GRANDES!