quinta-feira, junho 15, 2006

Quando lá fora chove...

Pode parecer estranho escrever isto num blog, mas não interessa. Não foi para isto que criei o blog, mas não interessa. Para as pessoas que eu gosto muito e para as quais ja fui "menos bom", aqui fica algo para vocês. Nunca irá remediar nada, mas são as minhas palavras, são minhas e são sentidas!


Eu gosto muito de vocês! O meu coração será para sempre a vossa morada e nele se podem abrigar "quando la forá chover".

quarta-feira, junho 14, 2006

Estrela da Tarde

Já li estes versos e ouvi a musica por mais do que as vezes que contei os segundos do relógio da minha vida..parti lhe os ponteiros e mesmo assim nunca me fartei de sentir nos meus lábios estes versos.

Aqui fica uma homenagem também ao grande poeta que os escreveu e ao fadista que os canta de uma forma divinal.

Estrela da Tarde

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia

Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia
Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia
Meu amor, meu amorMinha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guardeMeu amor, meu amor
Eu não tenho a certezaSe tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amorEu não tenho a certeza
Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram
Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!

José Carlos Ary dos Santos

segunda-feira, junho 12, 2006

25 De Abril já lá vai, Extrema-Direita já aí vem

O Nobel da Literatura José Saramago afirmou ontem que não restou "rigorosamente nada" do 25 de Abril de 1974 em Portugal e que nem a democracia é uma herança directa da revolução.
“ [Do 25 de Abril] não ficou nada, nada, rigorosamente nada", disse Saramago, numa homenagem ao antigo primeiro-ministro Vasco Gonçalves.

O escritor português foi uma das dezenas de pessoas que homenagearam na manhã de ontem no cemitério do Alto de São João, em Lisboa, o antigo primeiro-ministro Vasco Gonçalves, no dia em que se celebra um ano da sua morte.

"Este foi um homem muito mal tratado por aqueles que tinham obrigação de o respeitar e ele merecia esse respeito", disse o escritor à agência Lusa, visivelmente sensibilizado.

Questionado sobre o modo como encarava o crescente número de manifestações de movimentos de extrema-direita no país, a última das quais decorreu sábado, Saramago retorquiu que "o que se passa em Portugal é relativamente propício" a esta situação.

"A questão está em saber de que direita se trata. E o futuro já dirá que direita é esta", adiantou o escritor, acentuando que, "depois, alguma coisa há que fazer. Ou se pode viver com ela, ou não se pode viver com ela".

Lusa / A Terceira Vaga

segunda-feira, maio 29, 2006

20 valores para a mini-saia da sra. professora!

"Pergunto-me: mas os pais avaliam o quê? Se os professores são bonitos ou feios?
Se as professoras usam ou não as saias curtas? Se vão à escola regularmente?"

Eduardo Prado Coelho, sobre a hipótese de os professores serem avaliados pelos pais dos alunos, PÚBLICO, 29-05-2006

domingo, maio 28, 2006

Timor existe. O Mundo esquece...


Sei que já não escrevo há alguns meses neste espaço. Mas há causas que não pedem satisfações ao escritor, antes o seu engenho em espalhar a palavra sagrada da verdade e da justiça. Tenho fraca memória para o que não quero. Mas a minha memória não chega para esquecer o que Portugal fez quando se esqueceu de Timor há muitos anos: nada. Tenho o preconceito da paz e da justiça, mas a minha arrogância e possível prepotência não chegam para clamar os que se usam dessa Terra por ela ser rica em algo que agora escasseia: Petróleo.

Tenho Vergonha de ser Português, quando um governo envia uma centena de homens que nem do exército são, ou sendo..são de uma força de segurança nacional, que se cá não faz muito, longe fará menos.

Quantas mais pessoas terão de sucumbir ao sofrimento, quantos terão de morrer, quantas crianças terão de ser esquecidas à dor de uma lágrima mortal, mas de silêncio... militares perdidos entre jogos geopolíticos e jornalistas esquecidos entre palavras de poeta e de verdade. Há gente que já devia ser gente há mais tempo. Há tempo neste país que devia erguer-se em vontade de justiça.

Não há petróleo neste mundo que julgue os homens da razão por há mais de vinte anos se terem esquecido de Timor, mas Timor faz-nos lembrar outra vez que existe.

Fora dos jogos políticos, dos fatos de senhor conhecido, das fardas de militar, dos microfones e jornais…existe uma terra por respeitar e entre a vã glória da vida e da razão da existência vós não a reconheceis. É por isso que ela existe assim….

Lavam-se os olhos, nega-se o beijo
Do Labirinto, escolhe-se o mar
No cais Deserto fica o desejo
Da terra quente por conquistar

Nobre soldado, que vens senhor
Por sobre as asas do teu dragão
Beijas os corpos no chão queimado
Nunca serás o nosso perdão

Ai Timor
Calam-se as vozes dos teus avós
Ai Timor
Se outros calam
Cantemos nós

Salgas de ventres, que não tiveste
Ceifando os filhos que não são teus
Nobre soldado nunca sonhaste
Ver uma espada na mão de Deus

Da cruz se faz uma lança em chamas
Que sangra o céu no sol do meio-dia
Do meio dos corpos a mesma lama
Leito final onde o amor nascia